Francisco Inácio Peixoto
A vida é uma grande experiência que os homens perpetuam consigo mesmo. Alguns, durante sua existência, riscam o céu como estrelas cadentes. Deixam à vista um traçado luminoso que os outros homens apontam e tomam como bússola. Até aqueles que nunca viram uma estrela cadente, pelas descrições, podem conceber a sua grandiosidade. Apesar da louçania, é efêmero como se demonstrasse que a vida por ser transitória deve ser marcante.
Francisco Inácio Peixoto, Chico Peixoto, foi uma dessas estrelas cadentes que deslizou no espaço. Nasceu quando a cidade, ainda jovem, começava a conjugar o seu rotundo desenvolvimento. Chegou ao mundo em abril de 1909. Pescou nas margens do Pomba e do Meia Pataca a inspiração: almejou ser poeta. E foi! Juntamente com alguns amigos fundou em 1927 a Revista Verde, marco do movimento literário que pretendia redescobrir o Brasil, a sua gente, sua cultura. O menino cresceu e teve que procurar outros centros para os estudos. Foi, primeiramente, para Belo Horizonte; depois para o Rio de Janeiro, capital da República, onde se formou em Direito. Mas das leis dos homens não quis saber. Retornou advogado, se fez industrial e transformou-se em educador e mecenas. Tinha dentro de si a sentença de Pitágoras: “educai as crianças e não será preciso punir os homens”. Esforçou-se por dar outra feição à sua terra . Sem deixar de lado a fábrica de tecidos Irmãos Peixoto, que dirigia juntamente com seus irmãos, iniciou o esboço da “nova cidade”. Primeiro era necessário um grande colégio onde pudesse ensinar. Trouxe professores, uma nova concepção pedagógica e, até, um arquiteto para projetar a escola. Assim a provinciana Cataguases viu surgir o Colégio desenhado por Oscar Niemeyer. Entendeu que para educar não bastava uma sala de aula. Fez cinema, praças e trouxe para a cidade uma mentalidade inovadora. Agora se conjugava modernidade.
A arquitetura tinha outros traços, não mais retilíneos. A arte brotava da terra correndo em rios no interior dos homens. Chico morava numa casa de feição audaciosa, também concebida pelo seu amigo arquiteto. Foi industrial, professor, diretor de colégio e poeta. Poeta e contista - e dos melhores. Publicou livros, onde sobressai o “Passaporte proibido”, relatando suas impressões sobre mundo além da Cortina de Ferro. “Dona Flor”, livro de contos, merece constar nas melhores coleções. Na década de oitenta ainda publicou mais dois: “Erótica Menor” e “Chamada Geral”. Em janeiro de 1986 voltou ao céu. Para ele, sem dúvida, Cataguases foi um imenso caso de amor que viveu sem sobressaltos da vaidade, com a humildade dos sonhadores.
O poeta Paulo Mendes Campos escreveu um poema que merecia ser dito por/para Chico Peixoto.
“Definição -
]O tempo não é fonte/
Jorrando dois jatos d’água/
De uma carranca bifronte./
Não é pesado nem leve/
Não é alto nem rasteiro/
Não é longo nem breve./
Nem tão pouco o passadiço/
Suspenso entre dois vazios/
Como frágil compromisso./
O tempo é meu alimento/
vestido, meu espaço/
Meu olhar, meu pensamento.”
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